Natura (NATU3) forma acordo com fundo da Advent e dispensa OPA; conselho passa a ter 10 membros

Fonte: Shutterstock/OleksandrShnuryk

A Natura (NATU3) celebrou na quinta-feira (27/08) um acordo de acionistas com o Lotus Fundo de Investimento em Participações, veículo ligado à gestora americana de private equity Advent International. O acordo foi assinado depois que os acionistas aprovaram, em assembleia, a dispensa da obrigação de a Advent realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), prevista no artigo 33 do estatuto social — dispensa condicionada a que a participação da gestora não atinja o percentual máximo definido como o de acionista relevante.

O movimento não impediu o recuo dos papéis nesta sexta-feira (28/08): às 12h30, a ação era negociada a R$ 8,56, queda de 3,93% ante o fechamento anterior. O tombo, porém, destoa do desempenho do papel ao longo do ano, em que a Natura acumula valorização de 14,90% e supera o Ibovespa, que avança 8,24% no mesmo período.

Na mesma assembleia, os acionistas aprovaram a alteração do estatuto para que o conselho de administração passe a ter entre 7 e 10 membros, número fixado em 10 para o mandato atual, e elegeram os dois nomes indicados pela Advent: Juan Pablo Zucchini, managing partner da Advent International, e Rafael Patury Carneiro Leão, managing director da gestora no Brasil. Também foi alterado o artigo 25 do estatuto, para que o comitê de auditoria seja coordenado por um membro independente. A Natura reforçou que a Advent não assume o controle da empresa: o acordo garante à gestora o direito de indicar representantes ao conselho, sem obrigação de voto conjunto em todas as matérias.

A operação tem origem em março, quando a Advent se comprometeu com os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos a comprar entre 8% e 10% das ações da Natura no mercado secundário, a um preço-alvo médio de R$ 9,75, em até seis meses. A gestora ampliou a posição por meio de compra direta de ações e contratos de derivativos até concluir, no fim de julho, a aquisição da participação mínima de 8%. Em seguida, acionistas detentores de 38,82% do capital convocaram as duas assembleias realizadas na quinta-feira.

No segundo trimestre de 2026, a Natura registrou receita líquida de R$ 5,2 bilhões, Ebitda consolidado de R$ 620 milhões, margem de 12% e caixa livre de R$ 342 milhões, com a receita no Brasil ainda pressionada por desafios operacionais e efeitos tributários temporários.

Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.