Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

Ao longo da semana, os investidores acompanharam a divulgação de indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, as expectativas em torno do diálogo comercial entre os dois países e os desdobramentos das negociações sobre o Estreito de Ormuz.

No cenário doméstico, a atenção se voltou para os dados de inflação e do mercado de trabalho. O IPCA-15 recuou 0,40% em agosto, queda maior que a esperada pelo mercado, de 0,30%. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,24%, abaixo da projeção de 4,34% e dos 4,52% registrados anteriormente. Já a taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, ante 5,8% no trimestre anterior, enquanto a população ocupada atingiu 103,3 milhões de pessoas, maior nível da série histórica. O IPP também ficou no radar, com queda de 0,83% em julho, terceira consecutiva.

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também ganharam atenção, após representantes dos dois países marcarem para segunda-feira (31) a primeira reunião técnica desde a retomada das conversas sobre as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. A prioridade do Brasil será negociar novas exceções às sobretaxas americanas.

No cenário internacional, os investidores repercutiram novos dados da economia americana. O PCE avançou 0,2% em julho, acima da expectativa de 0,1%, enquanto o PIB dos Estados Unidos cresceu 1,5% no segundo trimestre, em linha com as projeções. O déficit comercial de bens aumentou para US$ 118,8 bilhões em julho, acima dos US$ 100,8 bilhões projetados pelo mercado.

No Oriente Médio, as tensões entre Estados Unidos e Irã e as negociações sobre o Estreito de Ormuz permaneceram em destaque. Washington anunciou novas sanções contra empresas e indivíduos ligados ao regime iraniano, enquanto Teerã afirmou que considerará o apoio às medidas americanas um “ato de guerra”. Ao longo da semana, Irã e Omã avançaram nas tratativas e acertaram a criação de um corredor marítimo temporário, além de um acordo sobre a gestão do Estreito. Apesar dos avanços, a normalização do tráfego permaneceu incerta diante da falta de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

Maiores altas

A Yduqs (YDUQ3) liderou as altas da semana, com valorização de 12,33%, impulsionada pela confirmação de negociações com a Afya para uma possível combinação de negócios. As conversas ainda estão em estágio inicial e não há acordo vinculante entre as companhias. A perspectiva de uma eventual fusão foi bem recebida pelo mercado, diante do potencial de complementaridade entre as operações, especialmente no segmento de educação médica, além da possibilidade de geração de sinergias e valorização dos ativos da Yduqs.

A Magazine Luiza (MGLU3) acumulou alta de 11,06% na semana, em meio à aprovação de um aumento de capital de R$ 400 milhões, por meio da capitalização de parte da reserva de incentivos fiscais. A operação prevê a emissão de 36,9 milhões de novas ações, que serão distribuídas gratuitamente aos acionistas na proporção de uma nova ação para cada 20 papéis detidos, equivalente a uma bonificação de 5%. Com a operação, o capital social da companhia passará de R$ 13,8 bilhões para R$ 14,2 bilhões.

A Usiminas (USIM5) registrou avanço de 9,92% na semana, impulsionada pela notícia de que a Ternium avalia uma possível operação para o fechamento de capital da siderúrgica. Segundo as informações divulgadas, a controladora pretende retirar a companhia da Bolsa, mas a operação ainda depende da aprovação dos acionistas minoritários. A possibilidade de avanço da transação favoreceu a valorização dos papéis ao longo da semana.

Maiores quedas

A Brava Energia (BRAV3) liderou as perdas da semana, com queda de 9,57%, pressionada pelas incertezas sobre os rumos da companhia após a Ecopetrol assumir o controle. A primeira teleconferência da nova controladora trouxe poucos detalhes sobre o plano estratégico, mantendo dúvidas sobre possíveis mudanças na administração, alocação de capital e integração com outros ativos da Ecopetrol no Brasil. A companhia colombiana indicou que, no curto prazo, a prioridade será a integração e a continuidade operacional da Brava.

A MBRF (MBRF3) acumulou baixa de 6,65% na semana, apesar da visão positiva do JPMorgan para a companhia. O banco elevou o preço-alvo das ações para R$ 23,00 e destacou perspectivas favoráveis para o segundo semestre, com expectativa de melhora nos volumes de alimentos processados e recuperação das margens da National Beef. Ainda assim, os papéis foram pressionados em meio à volatilidade dos mercados internacionais de proteínas e às preocupações com os preços das commodities, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño sobre a produção de milho.

A PRIO (PRIO3) encerrou a semana com recuo de 3,68%, pressionada pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional. A commodity perdeu força em meio aos avanços nas tratativas envolvendo o Estreito de Ormuz, que reduziram parte das preocupações com a circulação de navios pela região. Irã e Omã também sinalizaram a possibilidade de uma administração compartilhada do Estreito, enquanto as negociações entre Estados Unidos e Irã continuaram no radar dos investidores.

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