Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Isaac Fontana

No cenário doméstico, a atenção se voltou para a divulgação do IBC-Br, que recuou 0,64% em junho, queda maior que a projetada pelo mercado, de 0,50%. Entre os setores, a indústria caiu 1,35% e os serviços recuaram 0,52%, enquanto a agropecuária avançou 0,96%. No acumulado do ano, o indicador registra alta de 1,52%. O fluxo estrangeiro também ganhou destaque, com a saída de R$ 22,00 bilhões da B3 em agosto até o dia 19, a maior retirada mensal desde 2021. Com isso, o saldo positivo acumulado no ano, que havia alcançado R$ 41,04 bilhões em julho, recuou para R$ 19,04 bilhões, mais da metade do patamar anterior.

No cenário internacional, as tensões entre Estados Unidos e Irã permaneceram elevadas ao longo da semana. O encerramento do acordo provisório entre os países e a falta de avanços nas negociações mantiveram as incertezas sobre o conflito e a normalização da navegação pelo Estreito de Ormuz. Além disso, a pressão sobre Teerã aumentou após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciar que os Estados Unidos aplicarão o pacote de sanções financeiras mais severo já imposto ao Irã, incluindo o bloqueio a portos iranianos e restrições de acesso ao sistema financeiro internacional. Em resposta, autoridades iranianas prometeram uma reação “esmagadora, punitiva e devastadora”. Apesar da escalada das ameaças, Bessent sinalizou como pouco provável uma retomada dos ataques americanos.

 

Maiores altas

 

A Minerva (BEEF3) liderou as altas da semana, com avanço de 24,69%. O desempenho foi impulsionado pela recuperação das ações após as fortes perdas registradas na semana anterior, quando os resultados do segundo trimestre levantaram preocupações com a geração de caixa e as exportações de carne bovina para a China. A reavaliação dos números da companhia e dos preços dos papéis após a queda recente favoreceu o movimento de recuperação ao longo da semana.

A MBRF (MBRF3) acumulou valorização de 19,44% na semana. O desempenho foi impulsionado pela melhora das perspectivas para a companhia, diante da expectativa de recuperação das margens da operação de carne bovina nos Estados Unidos, redução dos investimentos e avanço da geração de caixa a partir de 2027. As projeções de maior geração de caixa e redução gradual da alavancagem também contribuíram para o movimento positivo das ações.

A SLC Agrícola (SLCE3) subiu 18,94% na semana. O desempenho foi impulsionado pela valorização das commodities agrícolas, com altas nos preços da soja e do milho na Bolsa de Chicago. Além disso, a percepção de que os riscos de queda de produtividade provocados pelo El Niño já estavam incorporados ao preço das ações contribuiu para o movimento positivo, apesar das preocupações com os possíveis impactos do fenômeno sobre a safra 2026/27.

A Cosan (CSAN3) registrou alta de 9,97% na semana, impulsionada pelo avanço do processo para uma possível venda de parte de sua participação na Rumo. A companhia passou a receber propostas vinculantes de potenciais interessados, em uma operação que integra sua estratégia de redução do endividamento. O movimento ocorre após a Cosan encerrar o segundo trimestre com dívida líquida expandida de R$ 9,2 bilhões, queda de 47% na comparação anual.

A Marcopolo (POMO4) apresentou valorização de 8,76% na semana. O movimento foi favorecido pelo anúncio do pagamento de R$ 0,13 por ação em dividendos, previsto para setembro, além da aprovação de um programa de recompra de até 49 milhões de ações preferenciais. As medidas de remuneração aos acionistas contribuíram para a reação positiva dos papéis ao longo da semana.

 

Maiores quedas

 

A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) liderou as perdas da semana, com baixa de 9,41%, acompanhando o movimento negativo do grupo. Os papéis foram afetados pelas incertezas em torno de uma possível redução das tarifas dos Estados Unidos sobre o aço canadense, que levantou preocupações sobre o aumento da oferta e da concorrência no mercado norte-americano.

A Gerdau (GGBR4) recuou 9,23% na semana. O desempenho foi pressionado pelas notícias de um possível acordo entre Estados Unidos e Canadá para reduzir as tarifas sobre o aço canadense, atualmente em 50%. A perspectiva aumentou as preocupações com uma eventual maior entrada de aço importado no mercado norte-americano e com o aumento da concorrência.

A C&A (CEAB3) acumulou perda de 4,50% na semana, dando continuidade à pressão observada após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Apesar do lucro ajustado recorde e do crescimento das vendas em mesmas lojas, a queda do lucro líquido reportado e as preocupações com o ambiente macroeconômico mantiveram a cautela dos investidores. O desempenho também ocorreu em meio às incertezas sobre o varejo de moda, diante do aumento da concorrência do comércio eletrônico internacional.

A Cury (CURY3) apresentou baixa de 3,96% na semana, período que começou com o ajuste das ações à negociação ex-dividendos. Os papéis também foram negociados em meio às discussões sobre o novo modelo de financiamento imobiliário, diante das preocupações de que a mudança possa elevar o custo do crédito em um ambiente de juros ainda elevados.

A Hapvida (HAPV3) manteve o desempenho negativo na semana, com queda de 2,82%, ainda refletindo a repercussão dos resultados fracos do segundo trimestre de 2026 e as preocupações com margens, sinistralidade, geração de caixa e judicialização. A pressão aumentou após a ANS suspender preventivamente reajustes e cancelamentos de contratos envolvendo cerca de 950 mil beneficiários, medida que pode afetar a estratégia da companhia para recuperar a rentabilidade e a geração de caixa nos próximos trimestres.

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