Ibovespa recua em agosto em meio a tensões geopolíticas e saída de capital estrangeiro

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

Ao longo de agosto, os investidores acompanharam indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, as perspectivas para a política monetária, a temporada de balanços e as tensões no Oriente Médio. As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a forte saída de capital estrangeiro da B3 também estiveram entre os principais destaques do mês.

No cenário doméstico, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, mantendo uma postura cautelosa. O IPCA avançou 0,07% em julho, enquanto o IPCA-15 recuou 0,40% em agosto e acumulou alta de 4,24% em 12 meses. Na atividade econômica, o IBC-Br caiu 0,64% em junho. Já a taxa de desemprego recuou para 5,3%, enquanto a população ocupada atingiu o recorde de 103,3 milhões de pessoas.

Nos Estados Unidos, os dados de inflação e emprego permaneceram no radar. O payroll mostrou o fechamento de 23 mil vagas em julho, enquanto o CPI avançou 0,1%, o PPI ficou estável e o PCE subiu 0,2%. Os indicadores mantiveram o mercado atento aos próximos passos da política monetária do Federal Reserve.

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também ganharam destaque, com a retomada das conversas sobre as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros e a definição da primeira reunião técnica entre os dois países para o fim do mês.

No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio e as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz permaneceram no radar, em meio a novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã e ataques a embarcações. No fim do mês, Irã e Omã avançaram nas tratativas para a criação de um corredor marítimo temporário, embora a normalização do tráfego permanecesse incerta.

Entre as principais altas do mês, se destacaram:

A SLC Agrícola (SLCE3) liderou as altas de agosto, com valorização de 20,10%, impulsionada pelos resultados do segundo trimestre e pela melhora das perspectivas para a companhia. O lucro líquido cresceu 75,3% na comparação anual, para R$ 245 milhões, enquanto a receita avançou 16,8%. Ao longo do mês, a valorização da soja e do algodão também favoreceu os papéis.

A Fleury (FLRY3) acumulou alta de 17,35% em agosto, favorecida pela repercussão positiva dos resultados do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 221,9 milhões, avanço de 45,7% na comparação anual, enquanto a receita líquida cresceu 14,4%, para R$ 2,32 bilhões. O Ebitda subiu 15,2%, para R$ 612,9 milhões, com os números superando as expectativas do mercado. A forte geração de caixa e o crescimento das diferentes operações também contribuíram para o desempenho.

A MRV (MRVE3) avançou 16,24% no mês, impulsionada pela melhora operacional do negócio brasileiro, apesar do prejuízo líquido consolidado de R$ 626 milhões no segundo trimestre, impactado principalmente por baixas contábeis relacionadas à Resia. A operação brasileira registrou lucro líquido ajustado de R$ 86 milhões e margem bruta de 31,2%, maior nível dos últimos sete anos. A perspectiva de redução da dívida com a venda de ativos da subsidiária americana e o anúncio de um programa de recompra de ações também favoreceram os papéis.

A TOTVS (TOTS3) registrou valorização de 14,13% em agosto, impulsionada pelos resultados do segundo trimestre e por medidas voltadas à otimização da estrutura de capital. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 240,6 milhões, alta de 17,4% na comparação anual, enquanto o Ebitda cresceu 41,6%, para R$ 480 milhões. A empresa também anunciou uma emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures para refinanciar dívidas, reduzir custos financeiros e alongar os vencimentos.

A Cyrela (CYRE3) subiu 13,66% no mês, em meio à repercussão positiva dos resultados do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 452 milhões, crescimento de 16% na comparação anual, e receita líquida de R$ 2,48 bilhões, alta de 18%. A margem bruta avançou para 34,4% e a geração de caixa atingiu R$ 272 milhões, contribuindo para a redução da dívida líquida e da alavancagem.

A Cury (CURY3) encerrou agosto com avanço de 10,49%, apoiada pelos resultados do segundo trimestre. O lucro líquido cresceu 16,5% na comparação anual, para R$ 311 milhões, superando as expectativas do mercado, enquanto a receita líquida aumentou 25,5%, para R$ 1,7 bilhão. A geração de caixa alcançou R$ 145 milhões e a aprovação de R$ 190 milhões em dividendos também contribuiu para o desempenho positivo das ações.

Entre as principais baixas do mês, se destacaram:

A Hapvida (HAPV3) liderou as perdas de agosto, com queda de 41,40%, após a forte repercussão negativa dos resultados do segundo trimestre de 2026. O Ebitda ajustado caiu 28% na comparação anual, para R$ 504 milhões, enquanto a margem Ebitda recuou para 6,3% e o lucro líquido ajustado ficou em R$ 13 milhões. A piora da sinistralidade, o aumento das despesas relacionadas à judicialização e a fraca geração de caixa ampliaram as preocupações com a recuperação da rentabilidade da companhia.

A Lojas Renner (LREN3) acumulou baixa de 19,85% no mês, pressionada pelos resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre e pela redução das projeções para 2026. A companhia cortou a estimativa de crescimento da receita de varejo de 9% a 13% para 4% a 8%, diante do desempenho mais fraco das vendas e de um ambiente mais desafiador para o setor.

A Marcopolo (POMO4) recuou 14,68% em agosto, refletindo a reação negativa aos resultados do segundo trimestre. O Ebitda ajustado caiu 12% na comparação anual, para R$ 349 milhões, enquanto o lucro líquido diminuiu 16%, para R$ 271 milhões. A margem bruta ficou em 21,9%, menor nível em três anos, afetada por um mix de vendas menos favorável, com maior participação de micro-ônibus e menor volume de exportações. O cenário mais cauteloso para a rentabilidade no segundo semestre também pesou sobre os papéis.

A Smart Fit (SMFT3) registrou queda de 14,67% no mês, apesar dos resultados operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026. A receita líquida cresceu 22% na comparação anual, para R$ 2,18 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 24%, para R$ 712 milhões. No entanto, o lucro líquido ficou abaixo das expectativas, pressionado pelo aumento das despesas financeiras, enquanto a geração de caixa também decepcionou. O maior consumo de capital de giro e a elevação da dívida líquida aumentaram a cautela dos investidores.

A Copasa (CSMG3) acumulou perda de 13,95% em agosto, pressionada pela queda do lucro e pela piora do resultado financeiro no segundo trimestre. O lucro líquido ajustado recuou 4,8% na comparação anual, para R$ 275,5 milhões, enquanto o resultado financeiro líquido negativo aumentou 64,2%, para R$ 168,1 milhões. A dívida líquida avançou 40% em um ano, para R$ 8,18 bilhões, e a alavancagem subiu para 2,8 vezes, apesar do crescimento da receita e do Ebitda ajustado.

A Brava Energia (BRAV3) encerrou agosto com baixa de 13,48%, pressionada pela queda dos preços do petróleo e pelas mudanças relacionadas à entrada da Ecopetrol no controle da companhia. Após a OPA de R$ 2,67 bilhões, a petrolífera colombiana passou a deter 51% do capital da Brava, movimento acompanhado pela extinção do antigo acordo de acionistas. As mudanças de controle e governança, somadas às incertezas sobre a estratégia da nova controladora e os próximos passos da companhia, mantiveram a cautela dos investidores.

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