TradeLetter Semanal | 12 – 18 Julho 2026

Fonte: Shutterstock/tadamichi

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pela intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã e pela confirmação da tarifa de 25% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros. As hostilidades entraram no quinto dia consecutivo, com o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz recuando drasticamente. O Irã ameaçou bloquear rotas estratégicas na região e interromper o fornecimento de combustíveis caso as ofensivas continuem. No campo econômico, os dados de inflação nos Estados Unidos surpreenderam positivamente: o CPI de junho recuou 0,4%, registrando a maior retração mensal desde abril de 2020, enquanto o PPI também veio abaixo das expectativas, aliviando as pressões inflacionárias e reforçando as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve. No Brasil, o IBC-Br de maio avançou 0,10%, acima da projeção de estabilidade, enquanto a confirmação da tarifa norte-americana pressionou o mercado doméstico e contribuiu para a queda do Ibovespa ao longo da semana.


Fechamento semanal – em %




EUA e Irã intensificam conflito e fluxo de navios em Ormuz cai pela metade: As forças armadas norte-americanas realizaram novos ataques contra alvos iranianos, concentrando as ofensivas em sistemas de radar, instalações de mísseis e drones, além de um superpetroleiro próximo ao terminal de exportação da ilha de Kharg. O Irã revidou com ataques a bases americanas no Kuwait e na Jordânia, enquanto as Forças Armadas kuwaitianas informaram ter interceptado drones iranianos. Em meio à escalada, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz caiu pela metade. O governo iraniano também ameaçou bloquear rotas estratégicas adicionais e solicitou aos aliados houthis, no Iêmen, que fechassem a rota do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem sua rede elétrica. O presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou possíveis novos alvos, incluindo pontes e usinas iranianas, enquanto o vice-presidente, JD Vance, descartou o envio de tropas terrestres ao país.

EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros: O governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, válida a partir de 22 de julho, com cerca de 2.100 itens isentos, entre eles café, carnes, suco de laranja e peças aeroespaciais. O anúncio pressionou o Ibovespa e elevou a aversão ao risco nos mercados domésticos ao longo da semana.

CPI dos EUA recua em junho na maior retração mensal desde 2020: O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho na comparação mensal, superando as expectativas do mercado, que projetava queda de 0,1%, e revertendo o avanço de 0,5% registrado em maio. O resultado marca a maior retração mensal desde abril de 2020. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, ficou estável no mês, abaixo da projeção de alta de 0,2%. O principal responsável pela queda foi o grupo de energia, que recuou 5,7%, impulsionado pela retração de 9,7% nos preços da gasolina. Na comparação anual, o CPI desacelerou para 3,5%, ante 4,2% em maio, enquanto o núcleo avançou 2,6%, ambos abaixo das projeções do mercado.

PPI dos EUA recua em junho e interrompe sequência de altas: O Índice de Preços ao Produtor dos Estados Unidos recuou 0,3% em junho, resultado abaixo da estabilidade esperada pelo mercado e que interrompeu as altas de 0,6% em maio e de 1,1% em abril. Na comparação anual, o índice avançou 5,5%, aquém da projeção de 6,2%. O núcleo do indicador subiu apenas 0,1% no mês, ritmo inferior ao avanço de 0,3% projetado. A queda foi puxada pelos preços de energia, com destaque para as retrações de 6,4% no grupo e de 12,0% na gasolina.

IBC-Br de maio avança acima das expectativas do mercado: A prévia do PIB registrou alta de 0,10% em maio na série com ajuste sazonal, superando a projeção do mercado, que esperava estabilidade, embora represente desaceleração frente ao avanço de 0,50% registrado em abril. Na abertura setorial, a indústria avançou 0,40%, os serviços cresceram 0,06% e a agropecuária recuou 0,99%. No trimestre encerrado em maio, o indicador acumulou crescimento de 1,75% em relação ao mesmo período de 2025.


Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas 

Maiores Baixas 


Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Hapvida (HAPV3)

Preço de Fechamento (17/07/2026): R$ 11,38 | Variação Semanal: +7,36% – A valorização refletiu a percepção positiva dos investidores em relação ao processo de reestruturação da companhia, conduzido pela nova administração com foco em melhorias de governança, disciplina operacional e ganhos de eficiência. O desempenho também foi sustentado pelos resultados do primeiro trimestre de 2026, que vieram acima das expectativas do mercado, e pela manutenção da perspectiva favorável de analistas para a recuperação da empresa.

Pior Desempenho: Auren (AURE3)

Preço de Fechamento (17/07/2026): R$ 11,59 | Variação Semanal: -11,05% – A queda foi pressionada pela revisão da perspectiva da companhia de estável para negativa pela Fitch Ratings, que citou os impactos do curtailment, restrições na geração de energia eólica e solar, e das condições hidrológicas desfavoráveis sobre a geração de caixa. A agência também reduziu sua projeção de Ebitda para 2026 e elevou a estimativa de alavancagem da empresa, reforçando a cautela dos investidores em relação às perspectivas da companhia.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 19 de agosto

Nesta quarta-feira (19) o calendário econômico traz atualizações relevantes que podem impactar os mercados. Veja os principais eventos do dia e suas possíveis consequências: 04:10

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.