Augusto Cury cresce e muda o cenário da disputa presidencial

Fonte: Shutterstock/rodrigo gavini

As pesquisas Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus, divulgadas em 31 de agosto, mostram Augusto Cury (Avante) como o principal destaque da corrida presidencial fora da dupla Lula-Flávio. O candidato avançou de 1,6% para 7,8% na Atlas e de 2% para 11% na BTG/Nexus, assumindo a terceira posição nos dois levantamentos.

Os cruzamentos demográficos ajudam a entender quem está sustentando esse crescimento. Os dados apontam maior concentração de votos entre eleitores jovens, além de diferenças relevantes por renda, gênero, religião e região. Os levantamentos também mostram que Cury tem desempenho relativamente maior entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022 e entre aqueles que não se identificam diretamente com os principais grupos políticos.

O que aconteceu nas últimas semanas?

O crescimento de Cury ocorre em meio a uma sequência de eventos que ampliou sua exposição pública. Ele participou do primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Band, em 23 de agosto, e posteriormente esteve em sabatinas e entrevistas, incluindo a realizada pela TV Globo durante o período de coleta da pesquisa Atlas. O horário eleitoral gratuito também começou em 28 de agosto.

A participação no debate ganhou atenção adicional porque Cury inicialmente anunciou que não entraria no confronto, mas mudou de decisão pouco antes do início e acabou entre os três candidatos presentes. Nos dias seguintes, vídeos relacionados ao candidato ganharam forte circulação nas redes sociais. Segundo dados citados pela imprensa, seus perfis oficiais registraram crescimento expressivo de seguidores na última semana, enquanto Cury também apareceu entre os candidatos mais buscados no Google.

A coincidência temporal é relevante, mas não permite concluir que esses acontecimentos tenham causado diretamente o avanço nas pesquisas. O que os levantamentos mostram é que o salto ocorreu justamente durante um período de maior exposição pública do candidato. As duas pesquisas, realizadas por institutos diferentes e com metodologias distintas, captaram a mesma direção do movimento.

Quem vota em Cury, segundo a BTG/Nexus

No cenário estimulado da BTG/Nexus, Cury tem 11% das intenções de voto, mas o percentual varia significativamente entre os diferentes grupos:

  • Idade: entre eleitores de 16 a 24 anos, Cury chega a 22%, o dobro da média geral. O percentual cai para 16% entre 25 e 40 anos, 8% entre 41 e 59 anos e 4% entre aqueles com 60 anos ou mais.
  • Escolaridade: a intenção de voto cresce conforme aumenta o nível de instrução: 3% entre eleitores com ensino fundamental, 14% no ensino médio e 17% no ensino superior.
  • Gênero: Cury registra 13% entre mulheres e 9% entre homens.
  • Religião: o candidato tem 13% entre evangélicos, 12% entre eleitores sem religião, 11% entre outras religiões e 9% entre católicos.
  • Renda: o percentual varia de 8% entre quem recebe até 1 salário mínimo a 13% entre aqueles com renda superior a 5 salários mínimos.
  • Região: o melhor desempenho aparece no Nordeste, com 14%, seguido por Sudeste e Sul, ambos com 10%, e Norte/Centro-Oeste, com 9%.
  • Situação ocupacional: Cury registra 13% tanto entre trabalhadores do mercado formal quanto entre desocupados.

Quem vota em Cury, segundo a Atlas/Bloomberg

Na Atlas/Bloomberg, Cury registra 7,8% no cenário estimulado, com diferenças ainda mais marcantes entre alguns grupos:

  • Idade: o melhor desempenho aparece entre eleitores de 25 a 34 anos, com 19,8%, seguido pela faixa de 16 a 24 anos, com 12,1%. O percentual cai para 9,1% entre 35 e 44 anos, 2,6% entre 45 e 59 anos e apenas 0,3% entre aqueles com 60 anos ou mais.
  • Escolaridade: diferentemente da BTG/Nexus, a Atlas não identifica uma relação clara entre escolaridade e intenção de voto. Cury registra 7,3% entre eleitores com ensino fundamental, 8,7% no ensino médio e 7% no ensino superior.
  • Gênero: o candidato tem 8,7% entre homens e 7,1% entre mulheres, resultado diferente do registrado pela BTG/Nexus, na qual Cury é mais forte entre as mulheres.
  • Religião: o melhor desempenho aparece entre evangélicos, com 13%, e entre eleitores sem religião, com 12,9%. Entre católicos, são 5,1%, enquanto outras religiões registram 1,9% e agnósticos ou ateus, 0,8%.
  • Renda: Cury tem seu maior percentual entre eleitores com renda familiar de até R$ 2 mil, com 14,7%. O índice cai para 6,3% entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, 6,8% entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, 3,5% entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e 1% acima de R$ 10 mil.
  • Região: o melhor desempenho aparece no Centro-Oeste e no Norte, ambos com 13,5%, seguidos pelo Nordeste, com 10,1%. No Sudeste, são 5,7%, e no Sul, 4,6%.
  • Voto em 2022: entre eleitores que afirmam ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, Cury registra 9,8% das intenções de voto atualmente. Entre os que votaram em Lula, são 3,9%. O percentual chega a 20,3% entre aqueles que não votaram em nenhum dos dois.
  • Identificação política: Cury apresenta seu melhor desempenho entre eleitores independentes, com 19,2%, seguido pelos que se identificam com a direita não bolsonarista, com 11,6%. Entre os eleitores de esquerda não lulista, são 4,3%, e entre os de direita bolsonarista, apenas 0,9%.

De onde vêm os votos?

Um dos pontos de maior convergência entre os dois levantamentos está na origem política do eleitorado de Cury. A BTG/Nexus mostra 13% de intenção de voto em Cury entre quem afirma ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, contra 7% entre os que dizem ter votado em Lula. Na Atlas/Bloomberg, os percentuais são de 9,8% e 3,9%, respectivamente.

Nos dois levantamentos, portanto, Cury apresenta maior intenção de voto entre eleitores que declararam ter votado em Bolsonaro do que entre aqueles que votaram em Lula. A Atlas acrescenta outro dado relevante: Cury chega a 19,2% entre eleitores que se declaram independentes e a 11,6% entre os que se identificam com a direita não bolsonarista.

O cruzamento, porém, não permite afirmar que esses votos tenham sido efetivamente transferidos de Bolsonaro ou de qualquer outro candidato para Cury. Os dados mostram apenas como a intenção de voto atual se distribui entre grupos com diferentes históricos e identificações políticas.

O que Atlas e BTG mostram em comum?

Apesar das diferenças nos percentuais, os dois levantamentos apontam para alguns padrões semelhantes. Cury é particularmente forte entre os mais jovens e apresenta maior intenção de voto entre eleitores que anteriormente votaram em Bolsonaro do que entre os que votaram em Lula. Os dois institutos também registram desempenho relevante entre evangélicos.

Há, porém, diferenças importantes. A BTG/Nexus encontra uma relação mais clara entre Cury e maior escolaridade e renda, enquanto a Atlas mostra maior percentual entre as famílias de menor rendimento. Também há uma diferença por gênero: Cury é mais forte entre mulheres na BTG e entre homens na Atlas.

A diferença mais marcante está na idade. Enquanto a BTG aponta 22% entre 16 e 24 anos, a Atlas encontra o pico na faixa de 25 a 34 anos, com 19,8%, e 12,1% entre os mais jovens. Ainda assim, os dois levantamentos convergem ao mostrar uma forte concentração do eleitorado de Cury nas faixas etárias mais jovens.

Imagem e rejeição

Os dados da Atlas/Bloomberg também mostram uma posição relativamente favorável de Cury nos indicadores de imagem. Entre os nomes testados pelo instituto, ele é o único com saldo positivo na avaliação: 34% dos entrevistados têm uma imagem positiva do candidato, contra 30% que têm uma imagem negativa, resultando em saldo de 4 pontos percentuais.

Na rejeição, medida pela pergunta sobre em qual candidato o eleitor “não votaria de jeito nenhum”, Cury também apresenta o menor percentual entre os nomes testados, com 18,5%. Flávio Bolsonaro registra 52,7%, Lula, 52%, Renan Santos, 43,1%, e Pablo Marçal, 40,1%.

Assim, Cury combina crescimento nas intenções de voto, baixa rejeição e saldo positivo de imagem em um momento de maior exposição pública. Esses fatores ajudam a dimensionar o espaço que o candidato passou a ocupar na disputa, embora não permitam determinar isoladamente o que explica seu avanço.

O que mudou em relação a julho?

Na rodada de julho da Atlas/Bloomberg, Cury ainda estava em um patamar muito baixo na série, com 1,6% das intenções de voto. Em agosto, o percentual saltou para 7,8%, levando o candidato à terceira posição.

Na BTG/Nexus, o movimento foi ainda mais intenso: Cury passou de 2% para 11% em apenas uma semana. Com isso, tornou-se o primeiro candidato da chamada terceira via a alcançar dois dígitos no levantamento e assumiu a terceira posição, atrás apenas de Lula e Flávio Bolsonaro.

Os percentuais das duas pesquisas não devem ser comparados diretamente, já que os institutos utilizam metodologias, amostras e períodos de coleta diferentes. O ponto em comum é a direção do movimento: Cury cresceu de forma expressiva e passou a ocupar, nos dois levantamentos, o espaço imediatamente atrás dos dois principais candidatos.

Metodologia

A Atlas/Bloomberg ouviu 5.014 pessoas em todo o território nacional entre 25 e 30 de agosto de 2026, por meio de amostragem aleatória digital (RDR). A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-07972/2026.

A BTG/Nexus ouviu 2.005 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 28 e 30 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-08900/2026.

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