Hapvida (HAPV3) mantém revisão de 947 mil beneficiários, mas não fecha percentual de reajuste

Fonte: Shutterstock/Joa Souza

A Hapvida informou que ainda não definiu os reajustes que pretende aplicar a contratos coletivos que reúnem cerca de 947 mil beneficiários. Em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), divulgada na segunda-feira (24), a operadora afirmou que os aumentos não estão fechados nem serão uniformes e que podem envolver, além do preço, mudanças no tipo de plano e nas regras de coparticipação. A companhia também disse que a expressão “duplo dígito forte”, usada em teleconferência de resultados, não era uma projeção, e sim referência a aumentos aplicados no passado.

A manifestação vem depois de a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) impor e derrubar, em menos de 24 horas, uma medida cautelar que travava o plano da operadora.

Os contratos foram anunciados junto com o balanço do segundo trimestre, em 12 de agosto. São planos coletivos empresariais com precificação defasada ou histórico de inadimplência, que representam cerca de 11% da carteira de saúde da Hapvida, encerrada em junho com 8,67 milhões de vidas, e cujo ticket médio equivale a aproximadamente metade do ticket médio da operação. Em manifestação anterior à CVM, em 14 de agosto, a empresa afirmou que cada contrato é reajustado individualmente, mas admitiu que o reajuste médio pretendido para o grupo deve superar a média praticada pelo mercado, com efeito diluído em doze meses. Parte dessas vidas pode ser descontinuada nas renovações, embora a operadora ressalte que revisar um contrato não significa cancelá-lo.

Em 20 de agosto, a ANS adotou medida cautelar de ofício para impedir reajustes de dois dígitos e rescisões nesses contratos, sob a alegação de que o plano aparentava seleção de risco, prática vedada pela regulação. A trava caiu no dia seguinte, após reunião entre executivos da Hapvida e a diretoria colegiada da agência no Rio de Janeiro, na qual a companhia mostrou que a medida atinge apenas contratos coletivos de grandes grupos empresariais, sem envolver planos individuais, coletivos por adesão ou de pequenas e médias empresas. No lugar da cautelar, a ANS instituiu monitoramento regulatório e informou que não há proibição de negociação dos reajustes.

A revisão da carteira foi anunciada junto com um resultado abaixo do esperado. No segundo trimestre, o lucro líquido ajustado da Hapvida caiu 95,8%, para R$ 12,5 milhões, com sinistralidade caixa de 75,2% e forte alta das despesas ligadas à judicialização. Desde então, o BTG Pactual cortou o preço-alvo de HAPV3 de R$ 15 para R$ 8 e o Bradesco BBI reduziu de R$ 19 para R$ 14, rebaixando a recomendação de compra para neutra.

Morgan Stanley e Itaú BBA veem mérito na revisão, mas alertam para o risco de execução em uma medida que envolve quase um milhão de vidas. O efeito financeiro segue indefinido e depende do desfecho das renegociações, de quantos beneficiários deixarem a base e da avaliação continuada da ANS.

Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.

 

 

 

 

 

 

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também: